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Yosy Escreveu:Bom artigo. Essa dos Flechas serem pequenos e assim não poderem transportar equipamento é que está completamente errada. Embora no início eles usassem flechas venenosas, isso era devido a falta de treino e problemas logísticos. Mais tarde usaram a G3.
Falta aí os Leais: semelhantes aos Fiéis só que os Leais vinham da Zâmbia.

NotePad Escreveu:Yosy Escreveu:Essa dos Flechas serem pequenos e assim não poderem transportar equipamento é que está completamente errada. Embora no início eles usassem flechas venenosas, isso era devido a falta de treino e problemas logísticos. Mais tarde usaram a G3.
Os flechas eram recrutados de uma tribo com uma genetica muito especifica eram baixos e magros e os mais 'fortes' nao pesavam mais de 50kg e a sua grande vatagem tactica era a sua velocidade e agilidade vantagem essa que era perdida com o emprego de armas e equipamento mais pesado, dai eles não usarem a G3 nem 'similares'.




Cabeça de Martelo Escreveu:Adorei as imagens, mas só tenho a fazer um pequeno reparo, os Pára-quedistas foram a unica unidade a usar a Armalite AR-10.
A foto onde mostra uma parada dos Pára-quedistas é no RCP em Tancos


Joel Neto, Correio da Manhã Escreveu:Combati ao lado dos Flechas
2006-12-24 - 00:00:00
Meritória nos seus esforços de guerra apesar da controvérsia gerada aquém-fronteiras, a PIDE-DGS formou para a guerra colonial de Angola um pelotão de bosquímanos. Eram homens pequeninos, provenientes do deserto do Kalahari – e que comunicavam entre si com estalidos de língua. José Leitão Baptista, furriel de cavalaria, foi um dos portugueses que trabalharam com esses guerreiros extraordinários, rápidos e resistentes, dotados de uma incrível capacidade de sobrevivência e uma apreciável habilidade no seguimento de pistas e trilhos. Um privilégio, diz Baptista até hoje.
Dava um romance. Uma história de guerreiros misteriosos afastando-se na noite em direcção ao desconhecido. Uma história de heroísmo, de modéstia e de silêncios. Com a diferença de que, neste caso, os heróis não seriam homens altos, fortes, de chapéus indecifráveis. Apenas misteriosos, não mais. Homens de metro e meio de altura, comunicando entre si com estalidos de língua. Bosquímanos – ‘bushmen’, homens dos arbustos. O cinema imortalizou-os em ‘Os Deuses Devem Estar Loucos’. José Leitão Baptista conheceu-os pessoalmente. E combateu ao lado deles, em Angola, onde a PIDE-DGS, encarregada de grande parte dos esforços portugueses de inteligência de guerra, os recrutou para as mais difíceis missões de reconhecimento, seguimento de trilhos e orientação geográfica.
“Os bosquímanos eram muitos perseguidos. Eram pequeninos, fáceis de identificar no meio das restantes etnias e os ganguelas e os quiocos, cujos homens chegavam a atingir dois metros de altura, incendiavam-lhes as casas e as aldeias. De forma que a PIDE os recrutou com alguma facilidade, pois esse recrutamento significava até certo ponto a autonomia deles. E foi de facto uma escolha notável. Os bosquímanos revelaram-se guerreiros extraordinários, extremamente leais, ágeis, resistentes e velozes”, recorda José Leitão Baptista. “Eram conhecidos por ‘kamessequéis’, ‘vassequéis’, ‘kums’ ou apenas ‘bosquímanos’. A PIDE, no papel de entidade recrutadora, deu-lhes o nome de Flechas. Conheci-os pela primeira vez no quimbo do Cuíto Cuanavale. Levavam uma vida errante, de nómadas, em fuga às perseguições de que eram alvo. Pela sua fisionomia, pareciam ‘vietcongs’. Mas as mulheres eram lindas, de lábios finos. Era um povo diferente em tudo dos restantes africanos.”
Sediado na região de Serpa Pinto, capital da província de Quando Cubando, a que alguns chamavam então ‘Terras do Fim do Mundo’, José Leitão Baptista começara a sua participação na guerra pelo campo de concentração de Missombo. Fizera patrulhas, longas escoltas a colunas de reabastecimento nas quais se demorava mais de um mês nas entranhas do mato – e, inevitavelmente, acabou por conhecer a região tão bem quanto é possível conhecer um território quatro vezes do tamanho de Portugal. Furriel de um pelotão cujo alferes cedo ficou ferido, dividiu o comando com um camarada durante a esmagadora maioria das campanhas. Com um desafio suplementar: o seu pelotão fora escolhido para servir de piloto ao projecto de mescla de tropas negras e brancas – soldados e cabos negros, graduados e oficiais brancos, isto é –, o que o tornava num balão de ensaio para a integração étnica e, ao mesmo tempo, um pequeno barril de pólvora onde cada descuido poderia significar a degradação do ambiente.
Na verdade, não foi uma má experiência, recorda hoje José Baptista. À noite, nas casernas, os brancos dormiam ao lado dos brancos e os negros ao lado dos negros – mas durante o dia, em missão ou simplesmente circulando pelo aquartelamento, o pessoal misturava-se sem agressões e, inclusive, alguma harmonia. E, porém, quando o mato colocava os seus desafios, nem sempre era aos seus soldados autóctones que o furriel recorria. Nem ele nem os respectivos oficiais. Escolha recorrente: os bosquímanos – os Flechas, como hoje os recorda a História. Conheciam o terreno como ninguém, dispensavam a maior parte dos apetrechos logísticos e concluíam o seu trabalho sem uma reclamação. Acima de tudo, respondiam às ordens da PIDE. Mesmo que sob comando momentâneo dos militares, cumpriam principalmente a ordem dos seus recrutadores. A PIDE coordenava a espionagem e a contra-espionagem, negociava prisioneiros e geria os interrogatórios – a ela, e a mais ninguém, respondiam os bosquímanos. Se o agente da PIDE lhe dissesse que não deveria beber água, um Flecha não a bebia nunca, mesmo que quase morresse de sede.
“Mas o facto é que não morria. Por exemplo, um dia foi preciso deslocarmo-nos numa missão complicada, em que deveríamos ficar a patrulhar um determinado perímetro ao longo de cinco dias, e a primeira coisa que fizemos foi requisitar um Flecha. Ele guiou-nos através do território e, quando ficámos sem água, arranjou tubérculos suculentos que nos mantiveram vivos. Quando finalmente encontrámos água, no entanto, recusou-se a beber, seguindo as ordens da PIDE. Foi à procura de mel silvestre nas copas das árvores e assim sobreviveu”, conta Baptista. “Eram uns autênticos guerreiros. Aceitavam as rações de combate, mas iam entregá-las às mulheres, porque as achavam demasiado pesadas para as carregarem através do mato. Levavam só uma arma e um pouco de sal. O resto, caçavam ou apanhavam da natureza. E, sobretudo, nunca se deixavam decifrar. Continuavam distantes, misteriosos, românticos.”
Memórias deste e de outros tipos trouxe José Leitão Baptista para Portugal. Empregado de finanças antes da tropa, o jovem do Sabugal foi depois funcionário da Aeronáutica Civil e, mais tarde, bancário. Enviado para um colégio interno durante a infância e a adolescência, preparara-se para estudar Direito, mas acabou por tentar Arquitectura. Desistiu ao fim de dois anos, com quase metade do curso feito. Tornou-se, nas horas vagas, artista plástico, poeta, restaurador de madeiras e estuques – trabalhou em tudo, dedicou-se a tudo, fez de tudo. Mas em nenhuma actividade se sentiu tão envolvido com o seu objecto de trabalho como na de revisor de textos, ou ‘copy desk’, que desenvolve há cerca de 30 anos em várias editoras e nos mais diversos jornais (incluindo, no passado, o CM), inclusive acumulando-a durante duas décadas com a actividade de bancário. E, quando pensa nisso, ele próprio encontra ali, de vez em quando, uma ressonância do velho perfeccionismo que um dia reconheceu nos Flechas.
“Chega a ser uma obsessão, e nesse sentido nem sempre é saudável. Estou sempre a ler placas toponímicas, menus de restaurantes – sempre à procura de erros, sempre à procura da forma correcta, sempre a tentar aprender mais sobre a palavra e a língua”, conta. “O que mais gosto de rever, provavelmente, são os textos literários. No jornalismo, gosto sobretudo de rever crónicas, que é onde há uma maior depuração do estilo. Francisco José Viegas, Miguel Esteves Cardoso, Vasco Pulido Valente – há gente a escrever muito bem nos jornais. Mas, se tiver de escolher um autor, escolho o Eduardo Lourenço. Sempre preferi ler ficção, e com ele aprendi que também podia gostar de ler um ensaio. Em todo o caso, não fica nada. Ficamos com uma ideia panorâmica do texto, mas rapidamente ela se esvai. O revisor guarda muito pouco daquilo que lê.”
fonte: http://www.correiodamanha.pt/noticia.asp?id=225343&idselect=9&idCanal=9&p=200



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