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Brasil Nuclear?!!

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Mensagempor SSK » quarta 11 jul, 2007 9:58 pm

Creio, segundo o que já li, que o Brasil faz desta questão uma bandeira energética e não de poderio bélico, como diz o Ministro.

Aliás a questão de ter um submarino nuclear não significa obrigatoriamente armamento nuclear. Para mim, parece-me uma aposta muito acertada e é um modo de mostrar, principalmente à região, o poderio tecnologico do país e não bélico.
"Ele é invisível, livre de movimentos, de construção simples e barato. poderoso elemento de defesa, perigosíssimo para o adversário e seguro para quem dele se servir"
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Concordo

Mensagempor zocuni » quarta 11 jul, 2007 10:04 pm

Tudo bem,

SSK.Faço minhas suas palavras. :G-beer2:

Abraços,
zocuni
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Mensagempor Paisano » quarta 08 ago, 2007 4:31 am

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Mensagempor FinkenHeinle » sexta 23 nov, 2007 12:17 pm

P44 Escreveu:e o Sarney nunca mentia, certo? :lol:

Sarney? Mentindo?


É um Anjo enviado pelo próprio Deus ao Brasil! :twisted:
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Mensagempor FinkenHeinle » sexta 23 nov, 2007 12:18 pm

SSK Escreveu:Lula quer relançar programa nuclear brasileiro

E dê-lhe propaganda...

Como "relançar" algo que nuna parou?! Aff...
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Mensagempor Luís Fernando » sexta 25 jan, 2008 12:50 am

Só para apimentar com algumas notícias recentes:
Energia - Energy
DEFESA@NET 04 Janeiro 2008
RR 04 Janeiro 2008 Nº 3290
Relatório Reservado
Brasil mira o topo do ranking do urânio

O Brasil repousa sobre uma espécie de “Tupi do urânio”, um conglomerado de reservas capaz de transformar o país no maior produtor mundial do minério.

A Indústrias Nucleares Brasileiras (INB) e a Companhia de Recursos Minerais (CPRM) mapearam novas jazidas, com potencial estimado de 800 mil toneladas. Somando-se às reservas já confirmadas, em torno de 200 mil toneladas, o Brasil ultrapassará Cazaquistão, Austrália, África do Sul, Estados Unidos e Canadá, saindo do sexto posto para o topo do ranking do urânio. A maior parte das novas jazidas está concentrada em um raio de ação de 200 quilômetros nos estados do Amapá, Tocantins e Amazonas, um trunfo em termos de economicidade e logística. A descoberta terá as mais diversas conseqüências.

Dará um novo empuxo ao programa nuclearbrasileiro. O país terá autosuficiência para abastecer todo o complexo de Angra dos Reis, incluindo a terceira usina e as quatro geradoras que o governo pretende construir no Nordeste.

As novas reservas também impulsionarão a tecnologia de enriquecimento do urânio desenvolvida pela Marinha. Consequentemente, o Brasil ganhará outro status no mercado internacional. Em vez do minério in natura, poderá exportar o produto enriquecido para os grandes compradores mundiais – Europa, Estados Unidos e Ásia.

Os preços internacionais da libra-massa de yellow cake (urânio concentrado e purificado)
não param de crescer. Nos últimos cinco anos, passaram de US$ 9,50 para US$ 95,00. As reservas vão também valorizar o processo de licitação da exploração e produção de urânio no país já anunciado pelo governo.

O INB e a CPRM aceleram o estudos para que as novas jazidas sejam incluídas no mapeamento que servirá como base para o leilão das concessões

E:
Energia - Energy
DEFESA@NET 15 Janeiro 2008
O Globo 14 Janeiro 2008

Brasil se prepara para exportar concentrado
de urânio em 2014
Preço do minério, que há 6 anos custava US$12, chegou a bater US$135

Ramona Ordoñez

O Brasil está se preparando para se tornar um exportador de concentrado de urânio, conhecido como yellow cake (pó amarelo), que é a primeira etapa de produção do combustível para usinas nucleares. A informação foi dada pelo presidente da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Alfredo Tranjan Filho, ao explicar que a idéia é quadruplicar a produção atual, de 400 para 1,6 mil toneladas, a partir de 2012. Segundo o executivo, a lei que regula o setor no país só permite a exportação do combustível se houver excedente. Tranjan calcula que, a partir de 2014, esse excedente comece a ser gerado, já levando em conta a entrada em operação da usina nuclear Angra 3 em 2012 e de quatro a oito usinas até 2030, dependendo do crescimento do mercado.

O presidente da INB - empresa responsável pela produção do combustível para as usinas nucleares - disse que não será preciso autorização do Congresso para o país exportar urânio. Segundo o executivo, basta se criar excedente e ter autorização da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), o órgão regulador e fiscalizador das atividades nucleares no país:
- O atendimento do mercado interno é fundamental. Não pode haver um apagão de urânio no futuro.

Déficit de 50 mil toneladas anuais de urânio em 2021

Tranjan afirmou que o Brasil não pode perder essa oportunidade que se apresenta no mundo. Os preços do urânio aumentaram cerca de dez vezes nos últimos seis anos. De US$12 a libra (meio quilo), chegaram a custar US$135. Atualmente, o urânio está cotado no mercado internacional a US$90 a libra. Além disso, acredita o presidente da INB, a expectativa é que esses preços continuem elevados. Segundo dados internacionais, a expectativa é de um déficit de urânio de 50 mil toneladas anuais a partir de 2021 no mundo.

Para Tranjan, além de o Brasil só poder pensar em exportar os excedentes do concentrado de urânio, os recursos com as vendas externas somente poderão ser usados na ampliação do próprio ciclo do combustível. Com a construção da fábrica de conversão (que transforma o pó de concentrado de urânio em um gás, o UF6) e ampliação das demais unidades do ciclo, principalmente a do enriquecimento, o Brasil dará um salto em sua posição estratégica no mundo. De acordo com Tranjan, enquanto o concentrado de urânio está cotado a cerca de US$180 a tonelada, o urânio enriquecido está sendo vendido no mercado internacional por US$1.200 a tonelada.

- Nós temos tudo para sermos um importante exportador de urânio. Temos reservas suficientes não apenas para atender à nossa futura demanda, como a tecnologia para a produção do combustível - destacou Tranjan, ao lembrar que, além das 441 usinas em operação no mundo, há 13 em construção, e estão planejadas outras 60 até 2030.

O presidente da INB disse que a oportunidade é única e tem que ser aproveitada neste momento. Segundo ele, a expectativa é que a demanda pelo urânio no mundo vá até 2060, quando a tecnologia atual da fissão nuclear deverá ser substituída pela fusão nuclear.

Projetos já aprovados na Bahia e no Ceará

Para atender ao aumento da demanda futura, a INB já aprovou projetos de exploração. Um dos primeiros é a ampliação da capacidade de produção na mina de Caetité, na Bahia, das atuais 400 toneladas anuais de concentrado de urânio, que atendem à demanda de Angra 1 e Angra 2, para 800 toneladas a partir de 2012. Esse aumento virá da mudança da tecnologia e da expansão da área a ser minerada. O investimento nesse projeto está estimado em R$60 milhões.

Outro projeto em andamento é a produção de urânio na mina de Santa Quitéria, no Ceará. Nessa mina, o urânio está associado ao fosfato. Por isso, a INB está em processo de licitação, buscando um parceiro interessado em explorar o fosfato.

Segundo Tranjan, até meados de fevereiro a empresa deverá anunciar o sócio do projeto, que custará US$200 milhões para a exploração do fosfato e outros US$30 milhões para a exploração, pela INB, do urânio. Três empresas apresentaram propostas: Bunge, Galvani e Vale. Tranjan explicou que a expectativa é que Santa Quitéria produza 120 mil toneladas anuais de fosfato e 800 toneladas de urânio em 2012:
- Com o aumento da produção de concentrado para 1.600 toneladas a partir de 2012, estimamos que vamos começar a gerar excedentes exportáveis a partir de 2014, porque no início vamos precisar de um volume significativo para Angra 3.

Reservas podem ser o quádruplo das atuais
Volume de urânio no país passaria de 1,2 milhão de toneladas


O Brasil tem a sexta maior reserva de urânio do mundo, com um volume conhecido de 309 mil toneladas. O presidente da Indústrias Nucleares do Brasil (INB), Alfredo Tranjan Filho, lembra que essas reservas foram apuradas até 1987, ou seja, há mais de 20 anos. Segundo ele, não se pesquisou mais o potencial de reservas de urânio no país por dois motivos: o programa nuclear brasileiro ficou praticamente parado nestes 20 anos e as reservas conhecidas são suficientes para atender à demanda das usinas já em operação - Angra 1 e 2, além de Angra 3, prevista para ser inaugurada em 2014, e mais outras 12 usinas de mil megawatts de capacidade cada uma, que poderiam operar até o horizonte de 2060.

Pelos estudos da estatal Empresa de Pesquisa Energética (EPE), se o país crescer a uma taxa de 4,1% ao ano, serão necessárias quatro usinas nucleares de mil megawatts cada até 2030. Caso a economia cresça a 5,1%, serão necessárias oito usinas até 2030.

Segundo adiantou Tranjan, mesmo antes de se realizarem os levantamentos geológicos mais profundos, estima-se que existam mais de 900 mil toneladas de reservas de urânio no Brasil, além das 309 mil apuradas até agora. Somente na região de Pitinga, no Amazonas, estudos preliminares indicam que devem existir, pelo menos, 150 mil toneladas de urânio, mesmo volume estimado para a região de Rio Cristalino, no Ceará. Além disso, há indicativos de que outras bacias devem conter mais 500 mil toneladas.

O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) - órgão licenciador e regulador do setor no país -, Odair Dias Gonçalves, é mais cauteloso ao falar sobre exportação. Segundo Gonçalves, a produção das 400 toneladas de urânio por ano atende sem folga a Angra 1 e Angra 2, e, quando há algum problema na mina, falta o produto.
Luís Fernando
 
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Mensagempor Luís Fernando » sábado 26 jan, 2008 8:22 pm

Marinha do Brasil
DEFESA@NET 26 Janeiro 2008
Isto É - 30 de Janeiro de2008 - Ed. 1995

Em busca da soberania
Retomada do projeto do submarino nuclear não pode
depender de oscilação orçamentária
Parte 1 - Parte 2 (entrevista Alm Moura Neto)

CLÁUDIO CAMARGO

Almirante Moura Neto
“Vamos enriquecer aqui todo nosso urânio”

INICIATIVA levou Lula para conhecer o projeto de Aramar


Integrante de uma família tradicional de oficiais da Armada, o comandante da Marinha, almirantede- esquadra Júlio Soares de Moura Neto, é um grande defensor do projeto do submarino nuclear. Nomeado em fevereiro de 2007, ele conseguiu sensibilizar o presidente Lula sobre o tema ao levá-lo para conhecer o Centro Experimental de Aramar, em Iperó (SP), que estava em estado quase vegetativo. Depois disso, o governo liberou R$ 1,1 bilhão, em parcelas de R$ 130 milhões anuais, fora do orçamento da Marinha, para a conclusão do projeto do reator nuclear desenvolvido pela força em Aramar. Nesta entrevista a ISTOÉ, Moura Neto diz que o Brasil terá condições de enriquecer todo o urânio de que necessita para as usinas de Angra 1, 2 e 3 e futuramente para o submarino.

ISTOÉ – Por que o Brasil precisa de um submarino nuclear?
Almirante Moura Neto – O submarino é uma arma precisa, extremamente valorosa em termos de dissuasão. É o único navio que, por andar debaixo d’água, obriga os navios de superfície um grande esforço para poder localizá-lo. Mas um submarino convencional tem muitas limitações: ele é movido por motor elétrico alimentado por grandes baterias, que precisam ser recarregadas pelo processo de snorkel. Isso o obriga a subir à superfície de tempos em tempos, tornando- o vulnerável. Já o submarino nuclear fica permanentemente debaixo d’água; só o fator humano o restringe, como cansaço da tripulação etc. Por isso, ele é importante para ajudar a patrulhar a extensa costa brasileira.

ISTOÉ – A liberação do dinheiro para a conclusão do reator significa a retomada do projeto de construção do submarino nuclear brasileiro?
Moura Neto – O projeto de Aramar não é o projeto da construção do submarino nuclear. O programa nuclear da Marinha é o da viabilização do ciclo de enriquecimento de urânio e da construção do reator nuclear. A liberação do dinheiro permitirá a conclusão de um reator de 11 MW de potência. É um reator dual, que não apenas poderá propelir um submarino como também produzir eletricidade para uma cidade de 20 mil habitantes. A decisão de concluir o projeto do submarino nuclear é uma decisão política.

“A idéia é buscar transferência de tecnologia para beneficiar a indústria nacional”

ISTOÉ – Nós já dominamos completamente o ciclo do enriquecimento de urânio?
Moura Neto – A primeira parte, sim, em nível laboratorial, mas algumas etapas desse ciclo ainda são realizadas fora do País. A transformação do yellow cake, produto da primeira etapa de beneficiamento do urânio, em gás hexafluoreto de urânio, é feita no Canadá. Esse gás depois é transportado para a Europa, onde um consórcio que reúne Inglaterra, Alemanha e Holanda o enriquece. No momento em que a nossa fábrica estiver funcionando, em 2010, poderemos enriquecer todo o urânio aqui. Com o protótipo dessa fábrica, poderá ser construída uma unidade maior em Rezende, na Indústria Nuclear Brasileira (INB). A Marinha também fabrica e vem fornecendo ultracentrífugas à INB. Dentro de um período de tempo que eu não sei especificar, nós poderemos enriquecer todo o urânio de que necessitamos aqui no Brasil.


Configuração do futuro submarino nuclear

ISTOÉ – O Brasil sofre pressões por causa do programa do submarino nuclear?
Moura Neto – São pressões veladas; quem domina a tecnologia nuclear não a fornece a ninguém. Mas o Brasil assinou o Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) e também assinou o Acordo Quadripartite, entre a agência, Brasil, Argentina e a ABCC (Agência Brasileira Argentina de Contabilidade Nuclear). Esse acordo garante as inspeções periódicas da Associação Internacional de Energia Atômica (Aiea), mas também garante a inviolabilidade de nossas instalações.

ISTOÉ – O reaparelhamento da Marinha pode ser feito em colaboração com a indústria nacional?
Moura Neto – O que o ministro (da Defesa) disse é que o programa de reaparelhamento da Marinha vai privilegiar a indústria nacional. Aliás, no programa nuclear, tudo foi desenvolvido com tecnologia nossa, até porque essa é uma tecnologia muito sensível e teria sido muito difícil obtê-la de outra maneira. A idéia é buscar transferência de tecnologia para beneficiar a indústria nacional, porque isso trará a independência na área de defesa.





Em busca da soberania
Retomada do projeto do submarino nuclear não pode
depender de oscilação orçamentária
Parte 1 - Parte 2 (entrevista Alm Moura Neto)

CLÁUDIO CAMARGO


Mais do que apenas fazer declarações em conversas reservadas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem feito movimentações concretas para retomar por completo o programa do submarino nuclear brasileiro. O primeiro passo nessa direção foi dado no ano passado, com a liberação de R$ 1,1 bilhão para a conclusão do reator nuclear desenvolvido pela Marinha. O próximo passo será dado nos próximos dias, quando os ministros Nelson Jobim, da Defesa, e Mangabeira Unger, das Ações a Longo Prazo, embarcarem para a França e para a Rússia em busca de alianças estratégicas e cooperação tecnológica. Os dois ministros serão acompanhados pelo comandante da Marinha, almirante-de-esquadra Júlio Soares de Moura Neto.



O programa do submarino nuclear brasileiro foi iniciado em 1979, interrompido na década de 1990 – por dificuldades financeiras e pressões americanas – e parcialmente retomado meses atrás. Ele é composto de três etapas básicas: o domínio do ciclo do combustível nuclear, a fabricação do reator e a construção do casco do submarino. A primeira parte foi muito bem-sucedida: graças aos esforços do Centro de Pesquisas da Marinha, em Aramar, o Brasil hoje domina a tecnologia de enriquecimento de urânio, desenvolvido através do método das ultracentrifugadoras. A segunda fase, a da construção do reator, está bastante avançada, restando apenas recursos para sua finalização – o R$ 1,1 bilhão liberado em 2007. A última etapa, a da fabricação do casco, exige muita sofisticação tecnológica e ainda necessita ser desenvolvida. É exatamente nessa etapa que reside a importância da viagem dos ministros.

KNOW-HOW Os EUA têm a maior frota de submarinos nucleares do mundo e apenas três estaleiros para construí-los

Apesar dos avanços recentes, o caminho a percorrer ainda é longo. A fabricação de um submarino nuclear, da concepção do design básico e ao detalhamento da engenharia, é um processo que exige de 12 a 14 anos de trabalho, de acordo com estudo da Rand Corporation, centro de estudos americano. Pelas dimensões desse tipo de embarcação – comprimento de cerca de 90 metros por dez metros de diâmetro –, a fabricação demandará instalações que, no Brasil, só a Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A. (Nuclep) tem atualmente. A fase mais longa desse processo, que dura de oito a dez anos, é a montagem do submarino, que exigirá um tipo específico de estaleiro, de que o Brasil ainda não dispõe. Os Estados Unidos, que têm a maior frota de submarinos nucleares do mundo, possuem apenas dois estaleiros para construí- los. A Rússia tem três estaleiros, a França dois e o Reino Unido e a China, um cada um.

Duas conseqüências advêm dessa situação. A primeira é que a decisão de construir o submarino nuclear é estratégica, uma decisão de Estado, que não pode ficar ao sabor de contingências orçamentárias, como aconteceu até o ano passado. A maturação de um projeto dessa natureza é necessariamente de longo prazo e implica investimentos constantes para que se chegue a bom termo. A segunda é que o Brasil provavelmente deverá buscar formas de cooperação internacional para a construção e montagem do casco do submarino nuclear. Mas o desafio da missão dos ministros no Exterior é o de obter cooperação sem, contudo, trazer consigo a dependência. Veja-se o caso da Índia, que deve lançar seu submarino nuclear ao mar já em 2009. Para treinar as futuras tripulações, os indianos arrendaram da Rússia um SNA por três anos. A Rússia também prestou assistência tecnológica para que a Índia desenvolvesse seu submarino.

A retomada do programa do submarino nuclear no Brasil também não pode ser vista como uma resposta conjuntural às supostas ameaças de vizinhos instáveis. É um programa de longo prazo, que só começará a produzir resultados concretos entre 2020 e 2024. A tarefa de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva incumbiu o ministro Nelson Jobim é estabelecer os objetivos de longo prazo do Brasil e preparar uma capacitação tecnológica e industrial para tal desafio, em lugar de buscar na prateleira os equipamentos militares de que necessitamos. Daqui a uma década, os desafios serão outros. Em 2020, o petróleo estará bem mais escasso no mundo e o Brasil, com a perspectiva de desenvolver as novas jazidas na Bacia de Santos, estará entre os primeiros exportadores do mundo. Teremos também, com a descoberta de novas jazidas de urânio no Ceará, a primeira ou segunda reserva desse minério do mundo. Os interesses a proteger serão, portanto, muito mais extensos e diversificados do que os que hoje conseguimos enxergar
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Mensagempor FredS » quinta 31 jan, 2008 6:05 pm

Depois de muito tempo o Brasil em fim vai se tornar uma potência nuclear. Tadinho dos hermanos :D, mas isso é bom para o Brasil, por que vamos cada vez mais influenciar na região e nos tornarmos uma potência ecomonica. Com isso o Brasil vai ser o segundo pais do mundo a se tornar muito mais forte que a sua colonizadora "mesmo que eu acho que pra ser mais forte que portugal não precisa de muito". Mas você portuguêses não precisam se preocupar não ^^ Quem tem que ficar com medo é o Chapolin da venezuela...
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Mensagempor zecalentejano » segunda 03 mar, 2008 3:45 am

Irmãos Brazucas. Possos-vos garantir, o Brasil já tem a técnologia núclear à muito tempo. Pode não estar aplicado a mísseis ou outras "balisticas". Não estou a perceber o "problema". Claro, EUA tem que ter isso "debaixo de olho".
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Ministro anuncia 50 novas usinas nucleares

Mensagempor shandowlord » sábado 13 set, 2008 9:20 am

http://g1.globo.com/Noticias/Economia_Negocios/0,,MUL758157-9356,00-LOBAO+DIZ+QUE+PAIS+FARA+UMA+USINA+NUCLEAR+POR+ANO+EM+ANOS.html

12/09/08 - 17h00 - Atualizado em 12/09/08 - 18h15
Lobão diz que país fará uma usina nuclear por ano em 50 anos
Regiões Sudeste e Nordeste abrigarão as primeiras quatro usinas.
Segundo Lobão, construção de Angra 3 começa em abril de 2009.


Da Agência Estado
O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse nesta sexta-feira (12) que o Brasil vai construir uma usina nuclear por ano ao longo dos próximos 50 anos. No total, elas irão produzir 60 mil MW. Cada uma delas será um pouco menor do que Angra 3, que está projetada para ter capacidade de 1,4 mil MW.
Segundo o ministro, esse pacote começará a sair do papel assim que o governo concluir a contratação das obras de quatro novas usinas nucleares, que já foram aprovadas em âmbito federal para serem construídas "imediatamente".
"O presidente Luiz Inácio Lula da Silva entende que a política nuclear é prioritária no Brasil e sua decisão é de que o processo para a instalação destas usinas deve prosseguir", disse o ministro em entrevista após visitar as usinas de Angra 1 e 2, em Angra dos Reis (RJ). De acordo com Lobão, o governo atualmente "está cuidando de Angra 3".

Primeiras usinas
Terminado este processo, disse ele, o governo vai definir as áreas em que serão instaladas as quatro primeiras usinas do grande pacote nuclear, que terão capacidade de 1,4 mil MW. Duas delas serão construídas no Nordeste e duas no Sudeste.
Segundo ele, na região Nordeste, disputam os investimentos os estados de Pernambuco, Sergipe e Alagoas. Já no Sudeste, segundo ele, não houve manifestação de interesse. "Mas não acreditamos que haverá problema algum nisso", disse.
Sobre as 50 usinas, o ministro disse que ainda faltam ajustes a serem feitos no pacote e que ele será discutido após o governo dar seqüência a estas primeiras quatro unidades.

Questões ambientais
Edison Lobão também disse que as obras para a construção de Angra 3 devem ser iniciadas em abril de 2009. Por enquanto, segundo ele, está sendo viabilizada a instalação do canteiro de obras para abrigar os cerca de 9.500 trabalhadores que participarão da construção.
Ele negou que haja qualquer risco de atraso no cronograma de conclusão da usina em cinco anos, por conta de questões ambientais. Segundo Lobão a lista de 60 exigências feita pelo Ibama para que a licença de instalação fosse concedida está sendo cumprida "corretamente, a contento e dentro de um escalonamento".
"O que não puder ser feito agora, de imediato, será feito ao longo do processo de obtenção desta licença. Mas tudo será devidamente cumprido", disse em entrevista coletiva realizada após visita às instalações das usinas nucleares de Angra 1 e 2.
Indagado sobre a dificuldade em encontrar um local definitivo para o depósito dos dejetos nucleares, o ministro disse apenas que "a ferro e fogo um lugar definitivo não existe em lugar nenhum do mundo".

Pré-sal
O ministro de Minas e Energia afirmou que, além dos campos de Tupi e de Iara, já seriam conhecidas também as estimativas de volumes de gás para a área de Jupiter, na região do pré-sal da Bacia de Santos.
Ele evitou dar detalhes sobre o andamento das discussões no âmbito da Comissão Interministerial que está discutindo um novo marco regulatório, mas comentou o potencial das áreas que vêm sendo descobertas pela Petrobras na Bacia de Santos. "Temos três blocos que acabam de ser definidos, que são Tupi, Iara e Jupiter", disse.
Apesar de todas as estimativas feitas pelo mercado com base em estudos geológicos, até esta semana, a Petrobras havia divulgado estimativas apenas sobre os cerca de 5 bilhões a 8 bilhões de barris existentes em Tupi. Anteontem, a estatal revelou que há um potencial de 4 bilhões de barris em Iara, área que pertence ao mesmo bloco de Tupi, o BM-S-11.
O mercado está na expectativa das perfurações que estavam para ser concluídas em setembro tanto em Jupiter, no BM-S-24, quanto em Bem-te-vi, no BMS-8.
Ainda segundo Lobão, a Comissão Interministerial que está discutindo o novo marco regulatório vai reunir-se de maneira "definitiva" no próximo dia 25. "De lá sairão as propostas que estarão nas mãos do presidente no dia 30", disse Lobão.
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Mensagempor Paisano » quinta 18 jun, 2009 1:49 am

O Brasil, a mídia e a proliferação nuclear*

Fonte: http://argemiroferreira.wordpress.com/

(Apesar do “desacordo momentâneo” entre Brasil e AIEA, o diretor geral dessa agência – Mohammed El Baradei, em fim de mandato – conviveu bem com Celso Amorim, citado em boatos no Brasil como atraído pelo cargo dele na ONU)

Depois de estranhar em dezembro de 2008 o destaque dado ao desenvolvimento da energia nuclear na Estratégia Nacional de Defesa anunciada pelo governo Lula, nossa mídia prestou-se na primeira quinzena de janeiro de 2009 ao papel de veículo da pressão de um governo Bush enfraquecido e em fim de mandato – mero “pato manco” agonizante, golpeado ainda por uma derrota eleitoral humilhante.

Terá o episódio exagerado a proximidade entre os meios de comunicação do país e os interesses da superpotência estrangeira em conflito com os do Brasil? Vale a pena encarar a situação no momento em que os mesmos veículos ansiosos para anistiar os crimes da ditadura (de que foram cúmplices) vêem com suspeita o atual compromisso dos militares com a democracia e a defesa dos interesses nacionais.

Ou será legítimo, nesse contexto, o faroeste midiático atribuir papel de guardiã da paz e do desarmamento à superpotência invasora do Iraque? Tenho dúvidas; a mídia não. Ela condena a resistência do Brasil em aderir ao Protocolo Adicional ao Acordo de Salvaguardas do TNP, o tratado de não proliferação nuclear. Ignora os interesses do país e insinua culpa de militares obcecados em ter a bomba-A.

A disputa em torno do desenvolvimento da energia nuclear é menos simplista do que sugere o cacoete desse jornalismo de aliar-se a interesses de fora. Os países sem armas nucleares sofrem restrições em suas pesquisas – punidos por terem aceitado firmar o TNP. Índia, Paquistão e Israel ignoraram o TNP e construiram bombas atômicas. Começam a ser paparicados e privilegiados com acordos especiais.

A bomba e os interesses comerciais

Em 1998 essa mesma mídia aplaudiu o governo FHC por submeter-se à pressão e assinar o TNP. Já então, a pretexto de que o Iraque de Saddam Hussein tinha violado o tratado ao criar um programa nuclear oculto, os EUA ensaiavam exigir que os “sem bomba-A” (ou have nots, não detentores de armas nucleares, em oposição aos haves, que as tem) aderissem ainda ao Protocolo Adicional criado para estender as restrições, controles e inspeções.

Inexistente antes, o protocolo tem de ser negociado agora com cada signatário do TNP – e não imposto. Os países “sem bomba-A” sofrem limitações nas pesquisas, que a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) faz cumprir com inspeções. E os donos de arsenais nucleares, que deviam reduzí-los até a total eliminação, ao invés de cumprir sua parte, sofisticam suas armas, o que agrava o problema por tornar mais viável seu uso no futuro. (Apesar disso, o secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, acredita ser este um bom momento para EUA e Rússia reduzirem suas ogivas nucleares).

O compromisso do Brasil, pelo TNP e por sua Constituição, é com o uso pacífico da energia atômica. Além de atuar como poucos em favor da causa do desarmamento nuclear, sua tradição pacífica é reconhecida. Mas não pode abrir mão da tecnologia nuclear. E afirma a necessidade estratégica de desenvolvê-la e dominá-la, o que inclui hoje o projeto do submarino de propulsão nuclear.

Em 2004 um editorial da Folha de S.Paulo propôs rendição singular, a pretexto de ser “transitória” a existência de duas categorias de países (com e sem bomba-A): o governo brasileiro devia aderir, “como decisão soberana”, ao Protocolo Adicional, e ao mesmo tempo “pedir” avanços pelo desarmamento. Dos 190 que assinaram o TNP só 82 aderiram ao protocolo. Muitos temem que os EUA eternizem seu arsenal “transitório”.

E há os interesses comerciais: o crescente mercado mundial de urânio enriquecido movimentou US$ 18 bilhões em 2001. Além de dono da 5a maior reserva natural de urânio, o Brasil tem tecnologia própria de centrifugação, desenvolvida por seus cientistas ao longo de 27 anos. Para protegê-la a sala das centrífugas na Fábrica de Combustível Nuclear (FCN) da INB em Resende é protegida com painéis durante as inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica, AIEA.

A cruzada pelo Protocolo Adicional

Os interesses dos países donos de arsenais nucleares são obviamente diferentes dos países “sem bomba-A”. A hipótese de espionagem industrial em inspeções da AIEA sobre a tecnologia inovadora do Brasil foi descartada assim pela Folha: os “EUA ou qualquer outra grande potência” não precisam disso porque podem recorrer à espionagem “clássica”. Ou seja, o editorial subestimou a hipótese como remota.

Quem acompanha as páginas internacionais sabe que no Iraque, antes da invasão de Bush, a CIA usava a UNSCOM, equipe de inspeção da ONU – primeiro chefiada pelo sueco Rolf Ekeus (até 1997), depois pelo australiano Richard Butler (1998) para espionar. O inspetor Scott Ritter, ex-fuzileiro dos EUA e veterano da guerra do Golfo, criticou os dois, acusando-os de aceitarem o jogo da CIA.

Na mesma linha do editorial da Folha, o do Estado de S.Paulo quatro dias depois negou haver razão que justifique a não adesão ao Protocolo Adicional. Alegou ser do interesse do Brasil ratificar o compromisso com o desenvolvimento pacífico da energia atômica, evitando ao mesmo tempo atritos com as grandes potências empenhadas em impedir a proliferação nuclear. Esqueceu a FCN e o mercado de urânio.

Alguns meses depois dos editoriais, o secretário de Estado de Bush, Colin Powell, veio ao Brasil e ouviu explicação do ministro Celso Amorim, de que o país tinha o dever de proteger sua tecnologia, desenvolvida por cientistas brasileiros. Depois, em entrevista à Veja, Powell minimizou o que Folha e Estadão maximizaram. O Brasil, disse, não preocupava os EUA, e não devia ser comparado a Irã e Coréia, apesar do “desacordo momentâneo” com a AIEA.

Uma entrevista muito estranha

Mas a Folha voltou ao ataque a 9 de janeiro de 2009, em matéria assinada pelo chefe da surcusal de Brasília, Igor Gielow. “Os EUA cobraram ontem a adesão do Brasil ao chamado Protocolo Adicional”, dizia o texto. Não ficou claro se a “cobrança” era iniciativa americana, usando a Folha como intermediária, ou se viera por acaso, premiando uma solicitação de entrevista feita pelo jornal.

Quem dava a entrevista era o embaixador Gregory Schulte, que representava os EUA não no Brasil mas na AIEA e outros organismos com sede em Viena. Gielow omitiu (de propósito?) se o diplomata respondera a perguntas, se falara em Brasília (estaria ali por alguma razão?), se a entrevista fora por telefone ou se mandara respostas por email a perguntas enviadas a Viena.

Como o próprio jornalista caracterizou a entrevista como “cobrança” dos EUA, seria no mínimo oportuno informar como ela ocorrera – cara-a-cara, por telefone, troca de emails ou qualquer que tenha sido a situação. Seria uma tentativa de intimidação do governo brasileiro? A dupla Bush-Cheney, afinal, sofrera derrota eleitoral e vivia seus últimos momentos na Casa Branca (restavam aos dois apenas 12 dias).

Pelo relato da Folha, Schulte “cobra” a adesão do Brasil porque os EUA aderiram. Mas o protocolo é adicional ao Acordo de Salvaguardas (artigo III do TNP), só aplicável (impondo obrigações) aos “sem bomba-A”. Os EUA têm a faculdade de escolher (ou não) instalações suas a serem inspecionadas. Os “sem bomba-A” não; só têm obrigações. E rígidas. A AIEA é que decide o que vai inspecionar – e como.

*Argemiro Ferreira
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Mensagempor Paisano » domingo 06 set, 2009 9:01 pm

A explosiva descoberta brasileira

Fonte: http://jbonline.terra.com.br/pextra/200 ... 928838.asp

BRASÍLIA - Uma revolucionária tese de doutorado produzida no Instituto Militar de Engenharia (IME) do Exército – Simulação numérica de detonações termonucleares em meios Híbridos de fissão-fusão implodidos pela radiação – pelo físico Dalton Ellery Girão Barroso confirma que o Brasil já tem conhecimento e tecnologia para, se quiser, desenvolver a bomba atômica.

– Não precisa fazer a bomba. Basta mostrar que sabe – diz o físico.

Mantida atualmente sob sigilo no IME, a pesquisa foi publicada num livro e sua divulgação provocou um estrondoso choque entre o governo brasileiro e a Agência Internacional de Energia Atômica (AEIA), responsável pela fiscalização de artefatos nucleares no mundo inteiro. O pesquisador desenvolveu cálculos e equações que permitiram interpretar os modelos físicos e matemáticos de uma ogiva nuclear americana, a W-87, cujas informações eram cobertas de sigilo, mas vazaram acidentalmente.

Barroso publicou o grosso dos resultados da tese no livro A Física dos explosivos nucleares (Editora Livraria da Física, 439 páginas), despertando a reação da AIEA e, como subproduto, um conflito de posições entre os ministros Nelson Jobim, da Defesa, e Celso Amorim, das Relações Exteriores. A crise vinha sendo mantida em segredo pelo governo e pela diplomacia brasileira.

A AIEA chegou a levantar a hipótese de que os dados revelados no livro eram secretos e só poderiam ter sido desenvolvidos em experimentos de laboratório, deixando transparecer outra suspeita que, se fosse verdade, seria mais inquietante: o Brasil estaria avançando suas pesquisas em direção à bomba atômica.

A AIEA também usou como pretexto um velho argumento das superpotências: a divulgação de equações e fórmulas secretas, restritas aos países que desenvolvem artefatos para aumentar os arsenais nucleares, poderia servir ao terrorismo internacional. Os argumentos e a intromissão da AIEA nas atividades acadêmicas de uma entidade subordinada ao Exército geraram forte insatisfação da área militar e o assunto acabou sendo levado ao ministro da Defesa, Nelson Jobim.

No final de abril, depois de fazer uma palestra sobre estratégia de defesa no Instituto Rio Branco, no Rio, Jobim ouviu as ponderações do ministro Santiago Irazabal Mourão, chefe da Divisão de Desarmamento e Tecnologias Sensíveis do MRE, numa conversa assistida pelos embaixadores Roberto Jaguaribe e Marcos Vinicius Pinta Gama. A crise estava em ebulição.

Jobim deixou o local com o texto de um documento sigiloso entitulado Programa Nuclear Brasileiro – Caso Dalton, entregue pelo próprio Mourão. Mandou seus assessores militares apurarem e, no final, rechaçou as suspeitas levantadas, vetou o acesso da AIEA à pesquisa e saiu em defesa do pesquisador.

Num documento com o carimbo de secreto, chamado de Aviso 325, ao qual o Jornal do Brasil teve acesso, encaminhado a Celso Amorim no final de maio, Jobim dispara contra a entidade. “A simples possibilidade de publicação da obra no Brasil e sua livre circulação são evidência eloquente da inexistência de programa nuclear não autorizado no país, o que, se fosse verdade, implicaria em medidas incontornáveis de segurança e sigilo” criticou o ministro no documento.

Diplomacia

Amorim teria assumido uma posição dúbia, tentando contornar a crise sugerindo que o pleito da AIEA fosse atendido, pelo menos em parte, como convém sempre à diplomacia. A entidade queria que o livro fosse recolhido e exigiu dados mais detalhados sobre o método e as técnicas utilizadas pelo físico brasileiro. Insistia que o conteúdo do livro era material sigiloso. Jobim bateu o pé e, em nome da soberania e da clara opção brasileira de não se envolver na construção de arsenais nucleares – explicitada na Constituição – descartou qualquer interferência no setor.

Situado na Praia Vermelha, o IME é um órgão de pesquisa básica, com curso de pós-graduação e extensão universitárias para civis e militares, subordinado ao Comando do Exército. O ministro citou a banca examinadora do IME, formada por seis PhDs em física, entre eles o orientador de Barroso, Ronaldo Glicério Cabral, para garantir que a tese é trabalho teórico e sem vínculo com qualquer experiência realizada no Brasil. Jobim citou o respeito a tratados para afirmar que o Brasil tem credibilidade para pesquisar “à margem de suspeições de qualquer origem”.

Jobim enfatizou ainda que o recolhimento compulsório do livro, como queria a AIEA, implicaria em grave lesão ao direito subjetivo protegido pela Constituição. Em outras palavras, seria uma censura a uma obra acadêmica com a chancela do governo Lula. E ainda criticou a entidade que, segundo ele, não justificou os comentários sobre a obra e nem apresentou base científica para amparar o questionamento.

A crise é uma ferida ainda não cicatrizada. Jobim não quis dar entrevista sobre o assunto, mas confirmou que encaminhou o documento ao Ministério das Relações Exteriores, responsável pelas conversações diplomáticas com entidades como a AIEA. Procurado pelo JB, Amorim não retornou. O presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) – o órgão do Ministério da Ciência e Tecnologia responsável pelo apoio aos inspetores da AIEA – Odair Dias Gonçalves, também não quis falar.


Domínio sobre enriquecimento de urânio reforça preocupação

Fonte: http://jbonline.terra.com.br/pextra/200 ... 928840.asp

BRASÍLIA - O caso da pesquisa desenvolvida pelo físico nuclear brasileiro Dalton Ellery Girão Barroso não foi o primeiro conflito entre o governo brasileiro e a AIEA. Em 2004, os inspetores da entidade tentaram, também sem sucesso, acessar as centrífugas de enriquecimento de urânio das usinas de Resende. A suspeita era, mais uma vez, que o Brasil estava enriquecendo urânio em teor superior ao necessário para a produção de energia elétrica. O governo alegou que seu compromisso era abrir à inspeção apenas a entrada e saída do material e que a tecnologia dos equipamentos, um assunto de Estado, poderia ficar exposta. E fechou as portas aos inspetores.

Os sucessivos embates, segundo especialistas ouvidos pelo JB, geraram um dilema insuperável para a AIEA, com o qual o governo nada tem a ver: como a entidade pode ter a garantia de que o Brasil, já detentor do conhecimento e da tecnologia, não vai enriquecer o urânio em teor de bomba atômica? Ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Jobim afirma que a garantia está na Constituição de 1988, da qual ele foi relator e ajudou a escrever. Mas foi também Jobim quem convenceu o governo, em outro embate este ano com Amorim, mediado pelo presidente Lula, a não assinar o último protocolo adicional pedido pela AIEA.

O ministro argumentou que o protocolo inviabilizaria a pesquisa sobre a tecnologia e a produção de energia nuclear necessária ao novo submarino brasileiro. Em entrevista ao JB, em abril, Jobim afirmou que, embora respeite o tratado, o Brasil tem toda a tecnologia para desenvolver a energia nuclear que as potências mundiais já utilizam.

Barroso acha que nada justificaria hoje um programa agressivo de armas nucleares. Mas observa que, num mundo de futuro incerto, o Brasil não pode abrir mão dos conhecimentos para desenvolver os instrumentos necessários à garantia da segurança e da soberania, caso isso seja necessário.

– Abrir mão de possuir armas é uma coisa, abrir mão do conhecimento de como fazê-las é outra coisa – observa. Barroso diz que os resultados de suas pesquisas se destinam a fins pacíficos (geração de energia elétrica, agricultura, medicina, ect.). Mas admite que, se o governo tivesse vontade política e recursos, o país teria todas as condições de desenvolver a energia nuclear para fins militares. O Brasil, segundo ele, domina toda a cadeia do conhecimento e da tecnologia e poderia, se quisesse, construir arsenais para causar efeito dissuasivo, como fazem as potências desde o final da Segunda Guerra Mundial. – A tecnologia nuclear é absolutamente dual. Quem a domina para fins pacíficos, adquire também a capacidade para aplicá-la a fins bélicos.

Ele lembra que no processamento do combustível nuclear, a usina que enriquece o urânio para reatores, cujo teor é de até 5%, também pode ser operada no enriquecimento do urânio para uma bomba atômica, que exige 90% de teor.

– Quem constrói reatores para produzir energia elétrica, pode construir também para produzir plutônio adequado a fins bélicos – diz. Segundo ele, da mesma forma que são necessárias para reciclar o combustível nuclear no reator, as usinas podem extrair o plutônio do combustível queimado no mesmo reator.

Barroso levou seis anos pesquisando os explosivos nucleares. Os resultados obtidos na tese e divulgados pela primeira vez no livro, segundo admite, aprofundam o conhecimento universal dos processos físicos envolvidos nas explosões nucleares.

– Isso se deve a resultados de cálculos computacionais executados por mim, dentro de modelos físicos conhecidos – conta.


Cálculos desvendaram interior de ogiva dos EUA

Fonte: http://jbonline.terra.com.br/leiajb/200 ... os_eua.asp

A parte mais delicada da pesquisa de Barroso – e principal responsável pela reação da AIEA – está na página 349 do capítulo 10 do livro, que leva o títuloDetonações termonucleares. São cálculos complexos, desenvolvidos com a ajuda de um inédito programa de computador que ele mesmo criou, e que desvenda com resultados em níveis técnicos aceitáveis pela comunidade científica, a figura de uma das ogivas nucleares dos Estados Unidos, conhecida com warhead W-87 .

A figura reproduz o esquema de detonação termonuclear num moderno e compacto explosivo. Tudo o que sabia, até então, eram os dados sobre as dimensões externas dos símbolos, e assim mesmo porque as informações haviam vazado, em 1999, e publicadas pela revista americana Insight Magazine, em agosto daquele ano. Uma reportagem da publicação reproduziu um trecho de um relatório produzido pelo Congresso americano sobre denúncias envolvendo suposta espionagem chinesas nos laboratórios nucleares dos Estados Unidos, do qual, acidentalmente, foi incluída a imagem e os dados que deveriam permanecer em sigilo.

A divulgação deixou perplexo o inventor da bomba de nêutrons, Samuel Cohen que, em depoimento ao Congresso, alertou que um físico competente poderia usar os dados e desenvolver o mesmo projeto original. O físico brasileiro, contudo, não fez só isso. Barroso virou a figura do lado avesso e, além de interpretar as dimensões externas, desenvolveu a configuração para o módulo secundário do explosivo, abrindo o que estava em segredo sobre a parte termonuclear do W-87. Os cálculos coincidiram até com a potência do artefato americano, de 300 quilotons.

– Só adivinhei o que estava lá dentro – diz Barroso. O trabalho é duplamente inédito: é a primeira vez que um físico brasileiro aprofunda cálculos e equações que pertenciam apenas aos cientistas presos a sigilos de laboratórios e, ao mesmo tempo, explicita os resultados em literatura científica aberta. Barroso afirma que no mundo da física nuclear só não podem ser divulgados dados obtidos por espionagem em laboratórios de experimentos. Segundo ele, a pesquisa publicada no livro é baseada em modelos físicos e matemáticos conhecidos e disponíveis na literatura.

Mas o que encontrou é inédito graças, em boa parte, ao avanço da ciência da computação.

O livro tem outros quatro capítulos (4, 8, 9 e 10) recheados de novidades, também obtidas com simulações em computador. São conclusões relacionadas a explosivos de fissão pura, novos elementos químicos em massa físsil – como o deutério-trítio –, explosivos nucleares, termonucleares e as complexas bombas boosted.

A AIEA reclamou argumentando que várias informações reveladas nesses capítulos também eram sigilosas. O Ministério da Defesa anexou ao documento 42 duas obras disponíveis para mostrar que não se tratava de segredo.

– O livro não é um manual para terrorista – garante o físico.

Barroso sustenta que a tese, classificada como reservada – um eufemismo para sigilo – tem poucos dados além dos que já estão no livro. Apesar da crise gerada, diz que vai pedir ao IME que libere o resto para publicação. As partes mais polêmicas, garante, já foram publicadas.
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Re: Brasil Nuclear?!!

Mensagempor gabriels » quinta 04 ago, 2011 2:42 pm

O Brasil construir armas de destruição em massa (WMD) só tem um objetivo, roubar mais dinheiro (corrupção).
Não há qualquer utilidade para o governo brasileiro ter WMDs, nenhuma. O caso é bem diferentenos EUA, até porque há uma historia por trás do fato deles terem WMDs.

Quanto a quem deve ter WMDs, o justo é óbvio, ou qualquer um pode ter ou ninguém pode ter. Isso que os EUA fazem, eles fazem pelo fato deles já terem as armas e quererem manter o controle mundial no que diz respeito a forcas armamenticias (e ninguém tem peito para brigar com eles). Isso deles ficarem achando desculpa para reclamar quando alguém cogita desenvolver WMDs é hilario , parece reacão de criança quando você tira o brinquedo da mão dela.


-----------------------=============----------------

(o Hilário não era guarda redes?)
Atenção à ortografia.

OBS: engraçado não saberem diferenciar erros de português e falta de acentuação devido a um teclado incompatível com a língua portuguesa.
OBS 2: não havia nenhum erro de português, mas sim falta de acentos e abreviações.
OBS 3: WTH??? Abreviações como q e qq não são aceitas por qual motivo? Estranho...
Editado pela última vez por gabriels em terça 17 jan, 2012 9:24 am, num total de 3 vezes.
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Re: Brasil Nuclear?!!

Mensagempor Cabeça de Martelo » quinta 04 ago, 2011 4:21 pm

A isto chama-se complexo vira-lata no fórum DB. :twisted:
7. Todos os animais são iguais mas alguns são mais iguais que os outros.

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Re: Brasil Nuclear?!!

Mensagempor Snowmeow » sábado 03 set, 2011 3:31 pm

O objetivo de se ter o pleno domínio do ciclo nuclear completo para o Brasil vai além da "bomba": É necessário também obter combustível para o Submarino Nuclear, e isso requer uma pureza maior do que a empregada em usinas de energia (Creio que 20%). Sem isso, o Brasil se veria obrigado a importar combustível nuclear, o que seria ridículo.

Já sobre o conhecimento da "Bomba", é simples e pode se resumir em uma frase: "Nós não temos a Bomba, mas sabemos como fazê-la, portanto não invadam o nosso quintal, ou nós fabricamos uma(s) e mandamos nas vossas cabeças!"

CONHECIMENTO é necessário, inclusive para o Brasil manter a sua soberania.
"Não corte uma árvore no Inverno; pois sentirás falta dela no Verão." Jairo Navarro Dias
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