Relativamente ao suposto cerco de tropas ucranianas, estamos mais uma vez na presença de desinformação oportunista.
A primeira vez que eu vi a questão do "cerco" ser tratada, foi no podcast diario do The Telegraph, há duas ou três semanas atrás, em que se dizia de forma clara:
" Há secções dos territórios do Oblast de Kursk que foram separada uma da outra, mas as duas áreas embora estejam isoladas, continuam ligadas ao território ucraniano"
Isto queria dizer que não se pode ir diretamente de uma área ocupada para a outra, mas pode-se fazer isso, entrando em território ucraniano e voltando a entrar em território russo ocupado pelos ucranianos.
A somar a isto, começaram-se a ver comentários sobre a "Bolsa de Kursk", mas principalmente por causa da interpretação do mapa, que mostrava a região de Kursk ocupada, com uma cor diferente. Muita gente - que não sabe interpretar sequer o mapa das estradas - começasse a achar que aquilo eram tropas cercadas...
Aqui em Portugal, temos as caixas de ressonância russas, com o Sr. Branco à cabeça, que não tem qualquer pudor em mentir de forma abjeta.
Inventou logo 70.000 mortos ucranianos. de um dia para o outro.
O que na realidade aconteceu, foi que num dos setores ocorreu realmente uma quebra da continuidade na frente de batalha, numa altura em que os soldados ucranianos foram informados de que os americanos tinham cortado o acesso ucraniano a dados táticos fornecidos pelos americanos.
Na frente de batalha, este tipo de rumores é contagioso. Os soldados não possuem telemóveis porque isso pode querer dizer "morte" e por isso a informação é limitada.
Isto explica que houvesse uma retirada desordenada em alguns setores, só que isso é algo de que o inimigo nem sempre é capaz de tirar vantagem.
O exército russo, mal equipado, cheio de agricultores e motoristas de taxi com uma semana de treino, e com doutrinas da II guerra mundial, tem dificuldade em se adaptar e por isso, o que poderia ter sido catastrófico, acabou por ser contido.