OGMA são exemplo para privatização do Arsenal do Alfeite, diz Ricardo Pinheiro Alves
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OGMA são exemplo para privatização do Arsenal do Alfeite, diz Ricardo Pinheiro Alves
26/03/2025 11:00
Em 2024, o universo de participadas do Estado na área da Defesa terá faturado cerca de 400 milhões de euros, avança Ricardo Pinheiro Alves.
Como estão as empresas do universo IdD?
O grupo IdD em 2024 deverá faturar, tudo somado, das oito empresas, cerca de 400 milhões de euros. Estou a incluir a OGMA e a IdD só tem 35% da OGMA.
No universo de participadas haverá bons resultados, mas e depois há, por exemplo, o Arsenal do Alfeite que o ministro da Defesa disse estar em falência técnica.
O Arsenal do Alfeite não está em situação de falência técnica. Os dados ainda não estão fechados. A IdD só apresenta resultados consolidados até julho porque numa das participadas o ano fiscal termina mais tarde. É natural que os resultados sejam diferentes. O Arsenal do Alfeite tem uma boa base porque tem um cliente muito importante, a Marinha Portuguesa. O que tem às vezes é problemas de liquidez, de tesouraria. As OGMA tinha o mesmo problema em 2005 e com a operação de privatização mudou substancialmente. Hoje é uma empresa que faz o seu caminho, tem os seus clientes, as coisas correm bem. Não quero estar a falar do que se vai fazer no Arsenal do Alfeite, mas está a preparar-se também nesse sentido.
Tem uma administração nova, um plano estratégico...
Tem uma administração. O plano estratégico ainda não foi apresentado, mas será em breve.
Quais serão as diretrizes para o Arsenal do Alfeite?
Estamos [aqui] em nome dos acionistas, que é a tutela setorial, o Ministério da Defesa e o Ministério das Finanças. As diretrizes são definidas a nível dos dois ministérios. Não me vou pronunciar. Agora, o exemplo das OGMA o que mostra é que há maneira de resolver os tais problemas de liquidez. Eventualmente, uma hipótese será seguir esse modelo. Não depende da minha decisão.
O modelo de privatização?
Não tem de ser privatização porque o Arsenal do Alfeite é muito importante. Assegura a manutenção dos navios da Marinha Portuguesa, que precisa que os navios estejam operacionais para as suas missões. Não há aqui hipótese de ser dispensado na sua relação com a Marinha. Quando se fala de privatização, no caso das OGMA foi uma privatização parcial em que o Estado continua a ter um papel importante. No Arsenal do Alfeite o Estado vai continuar a ter também um papel importante. Mas, vai haver eleições, é uma decisão a nível ministerial que até maio não será tomada com certeza.
Quando o Governo criou um grupo para estudar as privatizações do setor do Estado, destas oito empresas na IdD quais as que poderiam ter vendas de participações?
Como não estou envolvido no grupo de trabalho, não sei exatamente em que fase é que está. No casos de que estamos a falar, penso que não haverá a intenção de alienar participações.
Mas no Arsenal do Alfeite poderia haver venda de uma participação?
Eventualmente, sim, uma uma parte, sim. Não é decisão minha.
Falou em 400 milhões de vendas. As empresas na IdD estão a entregar dividendos?
Umas dão, outras não. No caso das OGMA ainda não houve a assembleia geral, vai ser em breve e, portanto, ainda não tenho acesso às contas sequer. A gestão vai fazer uma proposta que espero que inclua dividendos. Houve outras empresas em que já houve a assembleia geral. A Thales Edisoft distribuiu dividendos, e também a Navalrocha distribuiu dividendos ao Estado português. Não é a única forma, mas é uma forma de o Estado recuperar os investimentos.
Em que valores?
Depende do caso. Os dividendos da Navalrocha foram bastante bons. A atividade do ano foi bastante boa, mas não sei se as contas são públicas ou não. No caso da Thales também foram razoáveis. Neste momento não sei dizer exatamente os valores.